O capataz da fazenda era negro, casado com uma negra, com cinco filhos negros, e sem que se soubesse como, sua mulher pariu um menino louro, de olhos azuis; e lá estava o infeliz, encucado, pensando em matar a Maria, sentido os cornos a lhe pesar na testa; e tão infeliz estava, que o patrão notou e chegando-se a êle tentou explicar-lhe o que poderia ter acontecido.
- Olha, Tião, não fique preocupado não, que a Maria é honesta, isso pode acontecer em qualquer família, basta que um dos dois tenha um avô, bisavô, tataravô, qualquer parente branco, que, de repente pode nascer uma criança branca em uma familia negra; isso é genética, aprendi na escola, você entendeu?
- Ô, patrão, num intendi naum, quequiissu tem cumnóis, a quenga feiz foi mi butá us cornu, ô eu vominbora, ô metu a pexera nela!
- Peraí, Tião, sela dois cavalos e vamos dar uma volta na sôlta das ovelhas, que eu vou te mostrar na prática o que é a genética.
E lá foram os dois para o cercado onde havia um bocado de ovelhas, todas branquinhas, mas no meio delas, uma só havia totalmente pre
ta. O patrão, mostrou para o peão aquela ovelha negra, no meio das brancas e tascou a explicação.
- Tá vendo, Tião, no meio de todas essas ovelhas brancas, nasceu uma preta, porque, tu te lembras, há alguns anos atrás, existia uma outra ovelha negra na fazenda e essa aí é descendente dela; entendeu agora o que é genética?
E o Tião, coçando a cabeça, encabulado e se zangando.
- Ô, patrão, intendê u quié essatal genétia, num intendi, naum, mai vamu fazê um tratu, patrão - u sinhô para di cumê a Maria, qui eu páro di cumê suas uvêia!....

