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Visitas: 1118 - Respostas: 25
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#1 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro
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Sou nativo do Ceará, porém minha infância foi tôda no Norte do Paraná; parece que, por isso, recebi um coração de barro vermelho, que me foi transplantado durante o longo periodo em que perambulei pelas estradinhas de terra "roxa" de Londrina, Apucarana, Maringá e adjacências... ô saudade medonha!
Moleque de doze anos, pelos idos de 64 (tô quase queimando óleo 60), meu pai resolveu comprar o primeiro veiculo e a escolha tinha que ser um jipe, porque estrada asfaltada havia muito pouca, só lá pras bandas de Londrina mesmo. Êle soube então de um jipe 51 à venda em Jaguapitã, distante uns 50 km. de nossa cidadezinha (Iguaraçu); lá fomos nós, companheiros pai e filho, em busca do sonhado jipe, mas depois de localizado o proprietário e fechado o negócio, começou a chover muito e como a experiência automotiva do "velho" era zero, o ex-dono ofereceu-se para ir deixar a viatura conosco. Eu, guri curioso, empolgado, viajei sentado no meio do banco dianteiro, só de ôlho grelado em todos os movimentos do motorista que, notando minha ansiedade de aprender, passou a viagem me dando dicas, e eu só "cubando" como se diz aqui no Ceará, olhando e memorizando tudo que podia, e a viagem , toda ela debaixo de chuva, demorou um bocado. Chegados em Iguaraçu, oferecido "pouso" ao motorista, ficou o jipe em cima da calçada da casa. A noite foi mal dormida, cheia de expectativa pelo amanhecer e eu, nos meus pensamentos de moleque curioso, passei quase a noite interinha dirigindo o jipão, rememorando tudo que tinha visto e ansiando pelo dia seguinte. Dia clareando, pulei da cama e fui dar bom-dia pro jipe, e lá estava eu, como todo menino faz, fingindo dirigir, mexe no câmbio, aperta freio, acelera, gira a direção, quando saem meu pai e o motorista, com a chave na mão, prá tirar o veiculo da calçada; não me contive e no maior atrevimento, disse pro meu pai que era capaz de dirigir, que eu conseguia sair no jipe; êle retrucou, dizendo que era impossivel, mas tantas fiz e tanto roguei, que ele concedeu que eu tentasse, acompanhado do motorista. Liguei a chave, dei na partida (no pé ainda, acho que pouca gente do fórum conheceu o sistema), deixei o motor esquentar um pouco, pisei na embreagem, engatei a ré e saí aos pinotes da calçada; parei, botei a primeira, manobrei e parei o jipe ao lado do meio-fio, para surpresa do meu pai e alegria do ex-dono do jipão, que tava com um sorriso de orelha a orelha. Desci tremendo igual vara verde, mas até hoje me recordo da emoção e da alegria que senti. Depois, aprendi a dirigir, sózinho mesmo, mas isso fica para outras histórias, se alguém quiser saber delas. Abs. |
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oskrmarinho
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#2 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro Avançado
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Muito bacana a história, Oskar!
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SE NÃO TEM SOLUÇÃO... NÃO TEM PROBLEMA!
M38A1 (CJ-5 MILITAR) GM 151-S TURBO-ÁLCOOL (FALCÃO) MTB PAJERO SPORT SE HPE TDI AUTOMÁTICA (ALBATROZ) F-350 GUINCHO-OPER. - 1960 CAP. TR. 40 T (TRAMBOLHO) |
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#4 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro
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Sou nativo do Ceará, porém minha infância foi tôda no Norte do Paraná; parece que, por isso, recebi um coração de barro vermelho, que me foi transplantado durante o longo periodo em que perambulei pelas estradinhas de terra "roxa" de Londrina, Apucarana, Maringá e adjacências... ô saudade medonha!
Moleque de doze anos, pelos idos de 64 (tô quase queimando óleo 60), meu pai resolveu comprar o primeiro veiculo e a escolha tinha que ser um jipe, porque estrada asfaltada havia muito pouca, só lá pras bandas de Londrina mesmo. Êle soube então de um jipe 51 à venda em Jaguapitã, distante uns 50 km. de nossa cidadezinha (Iguaraçu); lá fomos nós, companheiros pai e filho, em busca do sonhado jipe, mas depois de localizado o proprietário e fechado o negócio, começou a chover muito e como a experiência automotiva do "velho" era zero, o ex-dono ofereceu-se para ir deixar a viatura conosco. Eu, guri curioso, empolgado, viajei sentado no meio do banco dianteiro, só de ôlho grelado em todos os movimentos do motorista que, notando minha ansiedade de aprender, passou a viagem me dando dicas, e eu só "cubando" como se diz aqui no Ceará, olhando e memorizando tudo que podia, e a viagem , toda ela debaixo de chuva, demorou um bocado. Chegados em Iguaraçu, oferecido "pouso" ao motorista, ficou o jipe em cima da calçada da casa. A noite foi mal dormida, cheia de expectativa pelo amanhecer e eu, nos meus pensamentos de moleque curioso, passei quase a noite interinha dirigindo o jipão, rememorando tudo que tinha visto e ansiando pelo dia seguinte. Dia clareando, pulei da cama e fui dar bom-dia pro jipe, e lá estava eu, como todo menino faz, fingindo dirigir, mexe no câmbio, aperta freio, acelera, gira a direção, quando saem meu pai e o motorista, com a chave na mão, prá tirar o veiculo da calçada; não me contive e no maior atrevimento, disse pro meu pai que era capaz de dirigir, que eu conseguia sair no jipe; êle retrucou, dizendo que era impossivel, mas tantas fiz e tanto roguei, que ele concedeu que eu tentasse, acompanhado do motorista. Liguei a chave, dei na partida (no pé ainda, acho que pouca gente do fórum conheceu o sistema), deixei o motor esquentar um pouco, pisei na embreagem, engatei a ré e saí aos pinotes da calçada; parei, botei a primeira, manobrei e parei o jipe ao lado do meio-fio, para surpresa do meu pai e alegria do ex-dono do jipão, que tava com um sorriso de orelha a orelha. Desci tremendo igual vara verde, mas até hoje me recordo da emoção e da alegria que senti. Depois, aprendi a dirigir, sózinho mesmo, mas isso fica para outras histórias, se alguém quiser saber delas. Abs. ..... Tb me vez lembrar quando eu so tinha 12 anos e trabalhava na revenda de veiculos do meu saudoso Pai,eu era o lavador de carro mais feliz da região, so lavava os carros tirando eles do lugar, eu me sentia o melhor manobrista da terra.........Eita saudade que machuca e me faz feliz...
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XJ 98 Rubicon preta super original.
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#5 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro
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Sou nativo do Ceará, porém minha infância foi tôda no Norte do Paraná; parece que, por isso, recebi um coração de barro vermelho, que me foi transplantado durante o longo periodo em que perambulei pelas estradinhas de terra "roxa" de Londrina, Apucarana, Maringá e adjacências... ô saudade medonha!
Moleque de doze anos, pelos idos de 64 (tô quase queimando óleo 60), meu pai resolveu comprar o primeiro veiculo e a escolha tinha que ser um jipe, porque estrada asfaltada havia muito pouca, só lá pras bandas de Londrina mesmo. Êle soube então de um jipe 51 à venda em Jaguapitã, distante uns 50 km. de nossa cidadezinha (Iguaraçu); lá fomos nós, companheiros pai e filho, em busca do sonhado jipe, mas depois de localizado o proprietário e fechado o negócio, começou a chover muito e como a experiência automotiva do "velho" era zero, o ex-dono ofereceu-se para ir deixar a viatura conosco. Eu, guri curioso, empolgado, viajei sentado no meio do banco dianteiro, só de ôlho grelado em todos os movimentos do motorista que, notando minha ansiedade de aprender, passou a viagem me dando dicas, e eu só "cubando" como se diz aqui no Ceará, olhando e memorizando tudo que podia, e a viagem , toda ela debaixo de chuva, demorou um bocado. Chegados em Iguaraçu, oferecido "pouso" ao motorista, ficou o jipe em cima da calçada da casa. A noite foi mal dormida, cheia de expectativa pelo amanhecer e eu, nos meus pensamentos de moleque curioso, passei quase a noite interinha dirigindo o jipão, rememorando tudo que tinha visto e ansiando pelo dia seguinte. Dia clareando, pulei da cama e fui dar bom-dia pro jipe, e lá estava eu, como todo menino faz, fingindo dirigir, mexe no câmbio, aperta freio, acelera, gira a direção, quando saem meu pai e o motorista, com a chave na mão, prá tirar o veiculo da calçada; não me contive e no maior atrevimento, disse pro meu pai que era capaz de dirigir, que eu conseguia sair no jipe; êle retrucou, dizendo que era impossivel, mas tantas fiz e tanto roguei, que ele concedeu que eu tentasse, acompanhado do motorista. Liguei a chave, dei na partida (no pé ainda, acho que pouca gente do fórum conheceu o sistema), deixei o motor esquentar um pouco, pisei na embreagem, engatei a ré e saí aos pinotes da calçada; parei, botei a primeira, manobrei e parei o jipe ao lado do meio-fio, para surpresa do meu pai e alegria do ex-dono do jipão, que tava com um sorriso de orelha a orelha. Desci tremendo igual vara verde, mas até hoje me recordo da emoção e da alegria que senti. Depois, aprendi a dirigir, sózinho mesmo, mas isso fica para outras histórias, se alguém quiser saber delas. Abs. ![]() Muito boa a narrativa! Me remeteu aos meus 14 anos, quando comecei a aprender a dirigir, orientado pelo meu também saudoso pai! [ ]s |
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#6 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro Avançado
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Gostei da proposta do tópico, afinal, penso que todos nós, integrantes deste fórum, temos alguma relação "mais doentia" com automóveis, sejam eles quais forem. Por isso, que tal darmos continuidade à proposta de nosso amigo, relatando com mais pormenores nossas próprias experiências quanto a esse assunto????? Meu relato, prometo, segue em breve, eis que a horário do meu "plantão com Morpheu" já tarda.
Abraços aos amigos!
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XJ 97 MEC (BULÂNCIA); LAND 51 (LANDECO-PETROLINO); DIPLO 92 (trovão azul) e VW 1200 66 (Brasilino)
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#7 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro
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Ôoo, Wilal! Ficou tão fácil que já tô no terceiro casamento!
---------- Post adicionado ás 05:49 ---------- Post anterior foi ás 05:41 ---------- Ôoo, Wilal! Ficou tão fácil que já tô no terceiro casamento! Aos demais foristas que gostaram do tópico, muito obrigado! Vamos contar nossas histórias mesmo. Tô aguardando novos relatos. Abs. ![]() ![]()
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oskrmarinho
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#8 (permalink) | ||||||||||||||
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Membro
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Aprendendo a dirigir - o sonho continua...
Bem, amigos, que coisa boa era ser garoto no Norte do Paraná em plena década de 60. Prá todo lugar que se ia, era offroad mesmo; caminhões e automóveis eram obrigados a usar correntes nos pneus de tração, senão atolava mesmo. Na frente das casas, ao lado da porta de entrada, havia quase sempre uma lamina de ferro entre dois balaustres de madeira, ao nível do chão, para que todos limpassem os calçados da lama grudada antes de entrarem. E eu, continuava namorando o jipe, já tirava e botava no quintal, limpava, mexia, aprendia tudo que pudesse e se ninguem me ensinasse, eu deduzia pela observação; até que, em um dia qualquer, meu pai o emprestou para um amigo, capitão da policia, o qual, juntamente com sua mulher, estavam encarregados de conduzir os serviços de recenseamento da população rural; eu e um amigo, o "dodo", descendente de japonês e espanhola, fomos também requisitados junto com a viatura, para ajudarmos nos trabalhos que se desenvolviam e que duraram alguns dias (essas são outras peripécias). O que importa é que, na zona rural, quem comandava o jipe, pra cima e prá baixo, nos carreadores entre cafezais, pastagens e alguma mata de acesso mais dificil, não era o capitão, mas "euzinho aqui" , porque o chefe gostava mesmo era de sombra e agua fresca e ao perceber o "verme" que eu tinha por direção, não deu outra, me botou prá ser motorista de "viatura de policia" na maioria dos pequenos percursos entre uma propriedade rural e outra, e, ai de quem se metesse!.... Terminado o trabalho, em cerca de três dias, retornamos, e na casa do capitão, ele me perguntou se eu podia levar o jipe pra casa, ao que mais do que depressa me prontifiquei, conduzindo com tanta alegria dentro da cidade (na esperança de ser visto por todos, em especial pelas gurias), que, na entrada da garagem, não notei o portão se soltar da trava e fechar justinho na hora em que eu entrava todo ancho na direção. Foi esse meu primeiro acidente, um portão derrubado e alguns arranhões no paralamas da viatura! ![]() ![]() Abs. |
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oskrmarinho
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