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Moderador
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...contunuação
América Central
Ao norte da Colômbia e sul do Panamá ficam os milenares pântanos de Darien, zona de trânsito impossível. E, pela primeira vez, sem estarem viajando sobre rodas, os nossos três escoteiros chegaram ao Panamá, de onde, novamente, tiveram que se transportar, e ao "Verde-e-Amarelo", pois a região rochosa e montanhosa do norte desse país não permite trânsito.
Atracando em Cristobal, terminal Atlântico do canal, ali foram informados da impossibilidade de vencer a região entre as cidades de Pozo Sur e Dominical, onde, ainda que pela praia, as interrupções são constantes. Por cortesia e cooperação da Pan American Airways foram acomodados, a preços especiais, em um DC-4 adaptado para carga. Retiradas as rodas traseiras e o porta-bagagem do teto, o jipe foi encaixado no bojo da aeronave, com apenas 2 centímetros de folga. E, assim, desceram em São José da Costa Rica, onde tiveram a companhia dos "ticos", originais escoteiros costarriquenhos, com quem passaram simpática intimidade durante alguns dias. Prosseguindo viagem, mal sabiam que iriam enfrentar o maior susto da aventura. Em uma ponte de madeira, de tábuas, o jipe deslizou na lama fina e percorreu toda a extensão da ponte, até que, já do outro lado, desceu por um barranco e deu uma volta completa, com toda a equipagem dentro! Depois da constatação de alguns "galos", distribuídos entre si, verificou-se que a capota rígida, colocada em São Paulo, possivelmente lhes havia salvado a vida... e que o jipe apenas sofrera algumas amassadelas.
Com algumas horas de viagem estavam em Manágua, na Nicarágua, onde o jipe foi retocado e desamassado. Prosseguiram, então, para Tegucigalpa (Honduras), San Salvador (El Salvador) e Guatemala, onde, novamente, não há passagem para o norte, pois a estrada pan-americana é desencontrada na região. Assim, foi necessário colocar o jipe em prancha de via férrea, em Tapachula, na fronteira da Guatemala com o México, e levá-lo em 8 horas de percurso até a retomada da rodovia, deixada ao sul, pegando, então, o início da estrada asfaltada para daí, até o extremo norte da viagem, não mais largá-la.
México e Estados Unidos
Pelas estradas do México viram os pitorescos e multicoloridos índios Maias, transportando seus objetos de indústria doméstica para as feiras. Sua moeda, o peso mexicano, vale o mesmo que o dólar... Passando por Oaxaca e Puebla, freqüentemente sob grossas chuvaradas, chegam à capital, México, cidade vibrante, com 3 milhões de habitantes, com bonitas e espaçosas avenidas no centro. E por ótimas estradas, a 1500 km da capital mexicana, chegaram a Laredo, na fronteira com os Estados Unidos, em 11 de agosto de 1955. Do Texas, partiram para o Norte, atravessando os Estados de Louisiana, Arkansas, Tennessee, Kentucky, Ohio, Pensilvania e Nova York, para alcançarem Ontario, 5 dias depois de haverem deixado a fronteira mexicana.
Desde São Paulo, estavam viajando, ininterruptamente, por 4 meses e meio. Passando pela Ponte de Lewinston, uns 20 km abaixo das famosas quedas do rio Niagara, entraram no local demarcado para a realização do VIII Jamboree Mundial, escopo final da aventura automobilística. Ali, em Niagara-on-the-Lake, o jeep "Verde-e-Amarelo" foi motivo de permanente curiosidade, motivando o interesse de milhares de escoteiros pelas coisas da nossa terra, pois achavam-se presentes no Jamboree nada menos de 11000 participantes, representando 68 países. Charlie, Hugo e Jan iriam, ainda, ao completar-se a "Operação Abacaxi", bater o recorde de permanência em automóvel, bem como a distância percorrida.
Mais para o norte
Terminado o Jamboree, os nossos amigos cruzaram a fronteira em direção a Toledo, Ohio, onde foram recebidos na fábrica Willys, de onde se originaram os famosos jipes. Haviam, então, planejado visitar o território do Alasca e, no teste a que o "Verde-e-Amarelo" foi submetido pelos engenheiros da Willys, ficou patenteado que o carrinho se achava nas mais perfeitas condições mecânicas. Por isso, foi somente acondicionado para proteger seus tripulantes, bem como o funcionamento, contra as temperaturas excessivamente baixas que prevalecem naquela região vizinha do Pólo Norte. Depois de adequadamente provido de pára-brisas duplo, aquecimento para o bloco, anticongelante e protetor para o radiador, tudo feito pela Willys Overland, rumaram, primeiro a Oeste, até Chicago, atravessando a "fronteira mais amiga do mundo", que é a do Canadá com os Estados Unidos, e na qual não há formalidade alguma a não ser a prova de motorista habilitado! Chegaram, então, a Winnipeg e Edmonton, em Alberta, e daí a Dawson Creek, quilômetro zero da famosa estrada de Alasca, que foi construída em 1941, em seis meses, quando os japoneses chegaram a ocupar duas das ilhas Aleutas, no Mar de Behring, logo no início da última guerra mundial.
Alasca
As desencontradas lendas foram, então, lembradas, desde a temperatura de -70ºC, até a quebra de metais, e as nevadas intransponíveis. Embora sem acabamento de cidade, a estrada é perfeitamente passável o ano todo. Construída sobre pedra britada e sob tráfego constante, a rota para o Alasca possui, ainda, uma estação de "patrol" a cada 50 milhas, as quais dispõem de equipamento apropriado para todos os reparos de manutenção. Em 11 de novembro, com o inverno a entrar, transpuseram a fronteira do Alasca, e rumaram para uma base aérea, onde permaneceram até o dia 29, quando procuraram atingir, então, a pequena cidade de Circle City, cujo nome partiu da presunção de que estivesse localizada sobre o Círculo Polar (fica, no entanto, 40 km ao Sul), o que realmente não foi possível dado que nessa época do ano a ligação é feita, exclusivamente, por via aérea. Não obstante, tiveram oportunidade de visitar a aldeia esquimó de Bethel, na costa do Mar de Behring, tendo também ido até Kwethluk, onde existe uma tropa de escoteiros e uma missão Moraviana; a única ligação para esse extremo de terra é feita por meio de avião, quando possível, e mais normalmente por trenós puxados por cães. No entanto, por cortesia da Força Aérea Norte-Americana, visitaram Fort Yukon, 12 km para dentro do Círculo Polar Ártico. Em Anchorage, cidade de 60 mil habitantes, também lhes foi dada a oportunidade de mais um teste escoteiro - acamparam, com mais de 253 companheiros, em um campo simulando condições de emergência. Aí, apesar de haver sido registrada a temperatura de -27ºC, tudo se passou normalmente, até mesmo para os pequenos escoteiros de 10 anos.
E, de novo, embarcaram no "Verde-e-Amarelo", agora com o radiador virado para o Sul. Chegaram em São Paulo no dia 14 de abril de 1956. O velocímetro marcava 71985 km. Ficaram ausentes por 1 ano e 12 dias, quando o governador de São Paulo lhes deu as boas-vindas!
Pontos extremos alcançados
- Latitude máxima sul: 33º (Bariloche);
- Latitude máxima norte: 65º (próxima ao Círculo Polar);
- Longitude máxima leste: 36º W (Recife);
- Longitude máxima oeste: 162º (Bethel - Alasca);
- Altitude máxima: 4693 m (Peru);
- Altitude negativa: 84,7 m abaixo do nível do mar (Death Valley);
- Temperatura máxima: 42ºC (Peru);
- Temperatura mínima: -40ºC (Alasca).
- A palavra "abacaxi", como adjetivo qualificativo, é sinônimo de dificultoso, errático, inevitavelmente encrencado, tal como a aparência da fruta tropical, de folhas lanceoladas, duras e serrilhadas, e de casca grossa e rude, a que os botânicos abrandam com a classificação "ananas ananas", em latim.
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